mercredi 11 décembre 2013

samedi 12 octobre 2013

passarinho me contou...

Na janela do meu quarto,
cantando uma ópera segundo as formigas
(olhando a partitura escrita com grãos de açúcar)


Submarino

A entrega ao afeto, para ser azul de talvez num mundo relojoeiro, a luz do sol ainda cáustica, manto de amor que se doa para que se possa sentir em profundidade, os cílios aguam da falta que não se dissolve. Meus pés vão azulejando, des-ser, a angústia cubista na iminência de, enxergo teus riscos em meus ocos, como são demorados e pesados, tocam aquilo que nunca pude ouvir. A parte secreta do branco, pupilas no escuro dizem do tempo para Ser. Os sonhos aflingem...



samedi 28 septembre 2013

Telegrama

Estamos mais velhos, dez anos se passaram, mas teu azul se estatuou em mim,
Te amo!
Roçou a barba como quem esconde a dúvida
no meio do queixo.

O sonho dos objetos


No canto da memória,
Duas crianças brincam
de isopor que brota do cabelo
dedos,
olhos,
joelhos,
corpo inteiro!
De tal maneira que se fez frio...

Nesse momento, riram,riram,riram...
inclusive o isopor com seus infinitos dentes de sal.

Nunca imaginamos como risada de isopor era estridente,
até as paredes se espreguiçaram, foram sol
A Felicidade alarga mesmo.

Dentes de sal nas crianças de tinta...
caindo
serenos
flocos de silêncios
frios
frios

Algo se riscou dentro daquela frágil pele...


Sim,os objetos sonham!
As crianças me fizeram descobrir:
O sonho do isopor era ser neve.





jeudi 15 août 2013

Des-ser


o estalar dos ossos
contra o muro vivo
 água aberta

Ressaca
estatuados olhos
avenidas e semáforos
de pressa

Des-ser...






dimanche 14 juillet 2013

caixa de entrada

Entrar numa palavra forte
é como entrar num rio forte.
Te abre, deforma, arrasta
para os estranhos quandos
sonhados por fortes águas...


As propriedades do tecido transparente...

Quando as árvores, daqui de casa,
se transparenciaram
(uma estação nova, ainda não descoberta pelos cientistas)
ficaram mais fortes, aos meus olhos, do que antes.

Era impossível entrar em casa,
sem esbarrar em raízes,
sem ouvir suas folhas...

Toda de tecido transparente
se estendia
por meu quarto
por meus quartos, os de dentro
uns que você passeia, as vezes,
em palavras, aqui, dentro dessa estranha máquina...


De tecido transparente, o poema
(silenciado)
também se espalha
por cima da tinta das outras palavras...

Paixão

Risco de traço súbito,
frágil vitral a romper na travessia das profundas águas...

vendredi 5 juillet 2013

A infância do Traço





I.                    Os delírios do desenho- palavra: mergulhados no esboço daquele rio...


“Porque o desenho é, por natureza, um fato aberto. Se é certo que objetivamente ele é também um fenômeno material, ele o é apenas como uma palavra escrita.”
ANDRADE, Mário, Do desenho[1]



               Pensar a infância do traço nos lança, entre águas e sonhos, num movimento de compreensão do caráter antiplástico do desenho, como Mário de Andrade nos aponta. Para tanto, surge a comparação com a palavra, tanto no que se refere à materialidade do significante, quanto ao que se refere à abertura plurissignificativa semântica. Neste sentido, Manoel de Barros nos diz da infância da palavra. Na lógica desta desaprendizagem poética do mundo tal qual um enunciado racional e estático: “O sol tem três letras/ O inseto é maior./Porque o inseto tem seis letras e o sol tem três./ Logo o inseto é maior.” (BARROS, Manoel de [2]). A palavra “inseto” compreendida pelo significante se torna maior que a palavra “sol”, afinal, possui seis letras, enquanto sol apenas três. Desta forma, nestes versos, a palavra, numa das possíveis leituras, esvaziada de seu sentido semântico, inaugura um ‘olhar fontana’, esse olhar de fonte que Manoel também nos conta. Mas sabemos que, no que se refere ao caráter semântico, a palavra ‘sol’, assim como ‘inseto’, quando escritas no papel, ultrapassam sua materialidade física, queimam e zumbem, respectivamente, no devaneio do sonhador que as lê. Da mesma maneira, o desenho, assim como a palavra, também irrompe para além de suas bordas físicas, o traço de um rio flui para fora do papel, molha os dedos do sonhador que o observa e deságua na circulação dos corpos, numa redondeza do ser do homem e do ser do mundo, como diz Bachelard [3]. Para além de possíveis dicotomias, a infância do desenho e da palavra nos possibilita experienciar o encontro, a dialética entre o significante e significado,  partes do mesmo ser. De maneira análoga, podemos pensar o diálogo entre corpo-alma, poema- poesia, papel-desenho, entre outros.

“A água corria pelos seus pés agora descalços, rosnando entre seus dedos, escapulindo clara clara como um bicho transparente. Transparente e vivo...”
LISPECTOR, Clarice, Perto do Coração Selvagem  [4]

               Ainda mergulhados no esboço daquele rio, como sonhadores que somos, compreendemos que as águas dos desenhos-palavras são incessantes fluxos de morte-vida, rio de Heráclito. Este bicho transparente e vivo, como diz Clarice, manifesta, especialmente nas linguagens artísticas, o encontro entre a imensidão íntima do ser do homem e a infinitude do ser do mundo. Neste movimento de criação, as águas dos artistas somente alcançam para além das paredes do espectador-leitor, se escapulirem da sua verdade. Afinal, como Alberto Manguel, no seu livro Lendo imagens, nos diz “...as imagens, assim como palavras, são a matéria de que somos feitos.” [5]. É nesse sentido que a infância do traço liberta o criador para além do estigma do desenho realista ― de maneira geral, eleito como paradigma da sabedoria de desenhar ― e nos lança nas suas águas profundas e poéticas. Para além de dicotomias de julgamentos como desenhos ‘belos’ e ‘feios’, as águas profundas do sonhador-artista, expressas através da arte, nos deságuam na descoberta do mundo. Apenas imersos neste espaço do espanto inaugural, os traços sonham.








II.                Dentro da casa que vive no sonho, abro a janela...


“Aprendi com Rômulo Quiroga (um pintor boliviano)[6]:
A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
(...)
O olho vê , a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.
Isto seja:
Deus deu a forma. Os artistas desformam.
É preciso desformar o mundo:
Tirar da natureza as naturalidades.
Fazer cavalo verde, por exemplo.
Fazer noiva camponesa voar – como em Chagall.”
(BARROS, Manoel de )  [7]





“Vermelhos secos”, sépia, conté-branco e aquarela sob papel jornal, processo de ilustração feita a partir da observação de modelos vivos, na aula de Desenho I, da professora Marina de Menezes.






                    
 “As janelas que não existem invadidas de pássaros, teus.” , sépia, conte-branco e aquarela sob papel jornal, processo de ilustração verbo-visual proposto na aula de Desenho I, da professora Marina de Menezes.



Tinha conversado com a minha Professora Marina de Menezes na tarde que retomei essas propostas de ilustração. Não sei por qual motivo me vi tentando encontrar a tal expressão reta que não sonha, como Manoel em seus versos nos conta.  Tarefa que tornava o esboço do rio, um objeto de observação, apenas. Não há problema na observação, é parte importante do processo da criação. Mas não se pode finalizar um desenho (se é que se pode dizer que existem desenhos finalizados...) sem o criador atravessar suas águas profundas e deixá-las, de alguma maneira, respingar em seus traços. Em busca dos traços que sonham, incentivados pela Marina e Manoel, retomei, sem medos, os esboços das propostas.
“As janelas que não existem invadidas de pássaros, teus.”, tenta ir de encontro a uma proposta de criação verbo-visual. Nas minhas águas, os vermelhos simbolizam os pássaros que invadem as nossas janelas que não existem, sejam estas o coração, os sentimentos, entre outras possibilidades. O embaçado corpo da figura feminina treme entre palavras, como num sonho. Numa das possíveis leituras, o seu coração se junta ao traço simples que acompanha seu braço e quadril. Assim, no devaneio do sonhador, forma a possibilidade esboçada de um outro corpo a invadir, subitamente, a dançarina, como os pássaros.
 “Vermelhos secos” me emocionou antes de existir no papel, pelo simples gestos de amor entre os corpos dos modelos vivos, algo se moveu dentro de mim. O esboço rápido de 7 minutos foi um registro deste gesto de amor. Quando escolhi esse desenho para retomar o processo de criação, esse sentimento irrompeu meu olhar, um história se criou entre os dois. No meu sonho, dentro do desenho, os amantes conversam silêncios brancos, enquanto os vermelhos secos queimam seus corpos...

“Tudo isso só existia em sua imaginação; mas bastava para que essas pequenas posses quiméricas adquirissem realidade aos seus olhos.”
 BACHELARD, Gaston,  A poética do espaço [8]






Referências bibliográficas



ANDRADE, Mário, Do desenho, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1984

BACHELARD, Gaston, A poética do Espaço, Ed. Martins Fontes, 2ªed., São Paulo, 2008

BARROS, Manoel de, Histórias da unha do dedão do pé do fim do mundo in http://www.youtube.com/watch?v=a-HDwM3jebY (acessado em 04/07/2013)

BARROS, Manoel de, trecho do poema As lições de R.Q., Livro sobre Nada, Ed. Record, 1996

DERDYK, Edith, Formas de pensar o desenho, Ed. Scipione, São Paulo, 2004.

LISPECTOR, Clarice, Perto do Coração Selvagem, Ed. Francisco Alves, 14ª ed., Rio de Janeiro, 1990

MANGUEL, Alberto, Lendo imagens, Companhia das Letras, 6ª reimpressão, São Paulo, 2011











[1] ANDRADE, Mário, Do desenho, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1984, pág. 66

[2] BARROS, Manoel de,  vídeo- poético Histórias da unha do dedão do pé do fim do mundo

[3] BACHELARD, Gaston, A poética do Espaço, Ed. Martins Fontes, 2ªed., São Paulo, 2008, págs. 235-242
[4] LISPECTOR, Clarice, Perto do Coração Selvagem, Ed. Francisco Alves, 14ª ed., Rio de Janeiro, 1990, pág. 48
[5] MANGUEL, Alberto, Lendo imagens, Companhia das Letras, 6ª reimpressão, São Paulo, 2011, pág.21

[6] “Nota: Um tempo antes de conhecer Picasso, eu tinha visto na aldeia boliviana de Chiquitos, perto de Corumbá, uma pintura meio primitiva de Rômulo Quiroga. Era um artista iluminado e um ser obscuro. Ele mesmo inventava as suas tintas. Trazia dos cerrados: seiva de casca de angico (era seu vermelho); clados de lagartas (era o seu verde); polpa de jatobá maduro (era o seu amarelo). Usava pocas de piranha derretidas para dar liga aos seus pigmentos. Pintava sobre sacos de aniagem. Mostrou-me um ancião de cara verde que havia pintado. Eu disse: mas verde não é a cor da esperança? Como pode estar no rosto de ancião? A minha cor é psíquica – ele disse. E as formas incorporantes. Lembrei que Picasso depois de ver as formas bisônticas na África, rompeu com as formas naturais, com os efeitos de luz natural, com os conceitos de espaço e de perspectiva, etc etc. E depois quebrou planos, ao lado de Braque, propôs a simultaneidade das visões, a cor psíquica e as formas incorporantes. Agora penso em Rômulo Quiroga. Ele foi apenas e só uma paz na terra. Mas eu vi latejar rudemente nos seus traços milagres de Klee. Salvo não seja.” (BARROS, Manoel de, trecho do poema As lições de R.Q., Livro sobre Nada, Ed. Record, 1996, pág. 74)
[7] BARROS, Manoel de, trecho do poema As lições de R.Q., Livro sobre Nada, Ed. Record, 1996, pág. 75



[8] BACHELARD, Gaston, A poética do Espaço, Ed. Martins Fontes, 2ªed., São Paulo, 2008, pág. 75

mercredi 3 juillet 2013

Sala vermelha


(Ilustração :aula de desenho hoje , professora Marina)





Entre as mãos aflitas,
fujo com fios de cabelos,
teus.

De olhos fechados,
entre tuas paredes,
entro.

Ruídos confusos,
dentre teus entres,

Tua voz me tateia,
nua
me deito sob tuas palavras

Solar,
descubro teus silêncios,
secos vermelhos à espera de

Do fio de cabelo guardado,
pássaros escapam,

Quentes águas
dentro de mim
passam...


As janelas que não existem invadidas de pássaros, teus.



As janelas que não existem,
invadidas de pássaros,
teus.





(aula de desenho, professora  Marina)

Poeta


: )

A casa lupina

                         
                                                                 







Pesadelos...


(ilustração inspirada na obra Os lobos dentro das paredes, de Neil Gaiman)

Meia-noite




Carruagem de papel,
Cortinas de pétala,

À meia-noite,
Um estalo,

O coração se quebra...

Passeio dentro do aquário...




Passeio dentro do aquário...
(Só  para não te contar que existem peixes no céu!)

A distopia no labirinto fantástico


Ofélia




dimanche 30 juin 2013

Lobo mau



Lobo mau,

Antes,
me abra  pelo verbo.

Apenas entregues
às águas das palavras,
meu corpo, abra.




                   (pÉ.S.: amei tentar a experimentação da ilustração com pedaço de jornal! rs)

pequeno chá para cartolas



Dizia que era mágico,
pássaros brotavam
dos nossos cabelos,
voo súbito
ao que desconheço...

As ruas abertas
nossos vestígios  
vermelhos
ardência que dói

Um dia,
Alacazan!:
ceguei.

"Você quer reverter?" 
Ele perguntou

Eu disse
"Pra quê?"

Então,
Tirou da cartola
a palavra Rosa

Desde lá,
Dentro dela,
moramos.






lundi 17 juin 2013

Memória



Exercício da aula da Marina, tema memória a partir de uma fotografia de autoria própria... deu nisso! rs


samedi 15 juin 2013

Autorretrato livre


Proposta de Autorretrato livre, a ideia é que deixasse transpassar um pouco da personalidade também! Não parece eu,mas ok rsrsrs


A princesa pediu uma foto só dela... pronto,princesa!rs


agora uma foto todos juntos!! rsrs



mercredi 12 juin 2013

Sanguínea

Lápis sanguínea

Teu corpo, palavra,
diz sangue,

Mas
Teu traço, de outono,
exangue...

Quando
tua ponta sangra,

sombra,
sombra,
sombra,


a fecundar,
no papel,
meu olhar...









Enfeitada da palavra flor 


jeudi 11 avril 2013

mardi 9 avril 2013

Ao bibelô



Criança-bela,
tuas mãos transparentes,
me alcançam...

são asas
 - as verdadeiras.




( na madrugada de abril)

vendredi 15 mars 2013

O noivo dos lençóis de sangue

Um dia, como sempre fazia, voltava de ônibus para casa e apertou o sino para descer na próxima estação,mas, ao mesmo tempo, o aperto também foi  do cara estranho, aquele cara que passou a viagem inteira a olhando. Os ônibus eram feitos assim de sinos que estouravam quando algo de humano acontecia. Nada explodiu. Juntos, eles desceram, mas ela acelerou o passo, alguns pombos da rua voaram.  Acenou para a senhora que vendia balas na esquina, fixada nos fios brancos que soltavam do coque firme. Alzira seguiu pela rua, querendo ser nuvem, ainda que sangrasse. O menino do ônibus também, se foi pela rua... a seguindo. Guardava um retrato de Alzira no bolso remendado da camisa de botões, achava isso bonito, os botões e o retrato. Ele trazia os lençóis de Alzira presos no corpo, arrastando ao chão, sujos de sangue. Se não fosse pelo vermelho,parecia véu. Todos o olhavam, Vicente- o noivo do lençol de sangue,como ficou conhecido. O deram por louco e ele até fingiu ser, assim, passava por Alzira todos os dias,sem que ela estranhasse o porquê.   Alzira em frente ao portão,Vicente olhando para o céu. Ela girou a chave, mas a porta não respondeu, estava morta, havia meses. Num clarão, virou como um retrovisor para Vicente, viu os lençóis de sangue,viu os lençóis de sangue, e sangrou, como no dia do crime. O esquecimento,as vezes, nos orvalha. 

lundi 25 février 2013

No furo do céu

Olha só o que minha amiga aranha me fez costurar de madrugada só porque queria  escrever uma carta, mas ela só tece! hahaha
(Finalmente, conseguimos decidir uma foto porque foi difícil, ela não gostava de nenhuma... tirei de closer, tirei mais de longe, tirei até quando ela fechou os olhos por causa do flash,mas decidimos  por essa, ufa!)

jeudi 17 janvier 2013

Tristeza espreita

Deito na minha cama,
Fecho os olhos,
junto as mãos.
Entre os dedos,
flores,
iguais as da minha avó,
dentro do caixão.

mardi 1 janvier 2013

Minihistória contada pelo Ano Novo


Nasci, um dos fogos de artifício tocou a lua. 
Fez cócegas, ela me disse.




Fiquei encantado.